O Brasil era uma verdadeira bomba-relógio nesta época. Como em quase todos os países ocidentais, por aqui também os jovens abraçaram o ativismo político. Eles também encontraram um adversário cruel nos militares. Alguns chegaram a se filiar à resistência armada. Uma minoria logo derrotada.
Mas o que ficou daqueles anos foram imagens bem mais pacíficas. Uma passeata reuniu mais de 100 mil pessoas, organizada pelo movimento estudantil, e que contava também com a participação de setores da igreja e da sociedade civil, tomou conta das ruas do Rio para protestar contra a ditadura.
Embora alguns estudantes já tivessem sido agredidos em outras passeatas, o clima da chamada passeata dos Cem Mil foi bem pacifista, quase um carnaval fora de época, com direito a chuvinha de papel picado.
Nem tudo terminou bem para todos, no entanto. Mais tarde outros quatro líderes destes movimentos estudantis também foram presos: Luiz Travassos, presidente da UNE, Vladimir Palmeira, principal líder do Rio de Janeiro e José Dirceu, principal líder de São Paulo. Estes foram soltos no exílio em troca do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Elbrick, seqüestrado por duas organizações de esquerda em setembro de 1969.
Fora do Rio, também houve reveses. Uma greve de operários em Osasco, Grande São Paulo, fez com que a cidade fosse tomada por quase uma semana pelos militares. Mesmo com esta reação dos militares, os estudantes não se sentiram coagidos e continuavam a investir em manifestações cada vez mais ousadas, com uso de coquetéis molotov, paus, pedras e até ácido sulfúrico. Os policiais chegaram a prender 900 estudantes em um único mês.
A partir de 1969, boa parte deste movimento ficaria inviável pela decretação do AI-5 em 13 de deembro do ano anterior. O deputado Márcio Moreira Alves, membro de um Congresso que ainda se considerava independente, criticou em termos duros e irônicos a repressão aos movimentos de oposição e chegou a sugerir que as jovens brasileiras não namorassem mais oficiais do Exército.
O Executivo quis impor a cassação do deputado. O Congresso rejeitou. A resposta veio dura. O Ato Institucional número 5 dava plenos poderes ao Presidente da República, inclusive para dissolver o Congresso.
Todas as tentativas de resistência à ditadura não tiveram muito sucesso, mas a luta pela democratização em 1968 virou modelo para o país.