Charles De Gaulle, em sua fala à pátria, logo depois do Reveillon, acreditava que o ano seria muito tranqüilo, mas nem imaginava que aquele seria um dos mais agitados da História pós Guerra. As manifestações no país começaram logo em janeiro e por motivos aparentemente banais, como a exigência dos estudantes em ter dormitórios mistos nas universidades. Como a reação dos policiais foi irredutível e agressiva, o fato foi criando uma proporção ainda maior sob a batuta de líderes como Daniel Cohn-Bendit, ou Dany, o Vermelho.
Entre barricadas e confrontos com forças policiais, destaca-se a imaginação dos estudantes franceses: “Decreto um permanente estado de felicidade”, “Sou marxista da facção do Groucho” (em referência ao comediante Groucho Marx, e não ao crítico do capitalismo, Karl Marx), “A imaginação toma o poder”.
Os protestos duraram todo o mês de maio e trouxeram à tona algumas das piores divisões internas da França, como o fantasma do anti-semitismo, visto que, os lideres revoltosos eram judeus. As revoluções ganharam tanta força que em 18 de maio, uma greve geral em favor dos estudantes reuniu mais de 10 milhões de pessoas que cruzaram os braços por três dias. Para desmobilizar os estudantes, o presidente francês ofereceu um aumento de 35% de salários para os operários e convocou eleições legislativas às pressas.
“No fundo os operários e os estudantes nunca estiveram juntos”, disse mais tarde Cohn-Bendit. Os operários queriam uma reforma das fábricas e suas condições de trabalho. Os estudantes queriam uma mudança radical de vida.