Nem tudo aconteceu em Maio.
Mas o mês de maio de 1968 deixou de pertencer ao Deus Chronos. Passou a ser a síntese de todo aquele ano. Isto é, de toda aquela década. Ou ainda: de toda aquela geração.
Maio de 68 está mais para o Deus Kairós.
Nenhuma das grandes ideologias ficou imune: em Praga, tanques soviéticos tiveram que intervir ante o perigo de o sonho de um socialismo democrático contaminar a pátria tcheca. Nos Estados Unidos, os americanos e o mundo descobriram que se as flores não podem vencer os fuzis, elas podem mobilizar as mentes contra os canhões.
Em Paris, no Rio de Janeiro, em Tóquio, em Buenos Aires. Por todo canto, descobriu-se que era possível fazer algo mais do que assistir a história passar.
Pode ter sido ingênuo. Mas marcou o limiar de uma época, que não sabemos se ali terminou, ou justamente se ali teve seu começo.
Maio de 68 não pertence a um tempo mensurável (Chronos). Quarenta anos depois nos perguntamos pelo tempo que tem sido vivido, pelos valores fundados ou perdidos em Maio de 68.
Bem-vindos a Maio de 68. A data para além de todo calendário possível.
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Maio de 68: outras manifestações estudantis
No final dos anos 60, mais precisamente no ano de 1968, uma revolução entrou para a história dos movimentos estudantis de todo o mundo. Quarenta anos após maio de 68, os alunos da FACULDADE PINHEIRO GUIMARÃES, fizeram a semana de eventos dedicados a uma geração que mudou o comportamento da sociedade.
Entre as manifestações, peças como “Roda Viva”, de Chico Buarque de Holanda, que foi censurada pela ditadura, ganhou destaque na quarta-feira (21/05) com a dramatização dos alunos do segundo período.
A semana em homenagem a Maio de 68 começou na segunda-feira (26/05) com uma sessão de filmes que relatam a importância do movimento estudantil para a época. A exibição dos filmes começou com o premiado “Batismo de sangue” (26/05), que relata como um convento dominicano de São Paulo ajudou um grupo guerrilheiro em plena ditadura militar brasileira. No dia seguinte (27/05), foi a vez do famoso musical “Hair”, que narra a trajetória de um rapaz do interior que um dia antes de embarcar para a guerra do Vietnã conhece um grupo de hippies que lhe ensina o verdadeiro significado da guerra.
O filme seguinte foi “Partner”, de Bernardo Bertolucci, (28/05), que foca a história de Jacob, um estudante com idéias revolucionárias cuja existência solitária é abalada pelo aparecimento de seu duplo eu, que o incentiva a ter um maior engajamento político. Em 29/05, o filme apresentado foi “Nós que nos Amávamos Tanto”, que se passa ao longo de trinta anos na história da Itália (1945-1975) tem como tema central a vida de três amigos, da resistência à ocupação nazista ao engajamento político nos anos 60.
Por fim, na sexta-feira (30/05), a película apresentada foi “A Insustentável Leveza do Ser” que aborda a busca da liberdade sexual como forma de realização interior. O filme tem como personagem principal um médico tcheco que tem sua utopia erótica interrompida pela invasão soviética em 1968, que pôs fim à tentativa de liberalização do país.
Além dos eventos de artes dramáticas e cinematográfica, aconteceu no Mídia Café uma exposição de fotografias que mostram conflitos enfrentados por manifestantes em que os jovens travam lutas corporais com a polícia pela liberdade e igualdade de classes.
Os alunos também produziram programas de rádio que resumem o que aconteceu na Thecoslováquia e na Alemanha, tratando da “Primavera da Praga” que gerou um protesto por liberdade que seria calado pelos tanques soviéticos, enquanto em Berlim, a juventude alemã rejeitava o sistema e questionava a geração do seu país, que havia convivido com o nazismo.